Mudar de Proposições (com o Sol em Gémeos)
Ando a escrever e a pensar sobre os momentos que vivemos – que têm tanto de dramático quanto de hilariante.
por isso ando cheio de vontade de ir para um palco oferecer(-me) às platéias e dedicar-me à Tarefa, a minha – ocupar o espaço com Consciência em vez de “cultura”, “arte” ou “lazer”. Isto é cada vez mais urgente. Mas enquanto não o faço também não me calo. Ofereço-vos aqui mais um pequeno jorro do que me passa pelo Ajna – ou pelo chackra da moleirinha, sei lá. Vem de dentro e é para fora que se quer mover, é a minha prenda do momento para quem a queira receber.
Em relação ao colectivo: só se recusa a acordar quem tem alguma coisa a perder. E há TANTOS com a ilusão de que têm TANTO a perder. Por isso os “do poder” vão apertar os que estão abaixo como se fossem chaves de fendas a rodar parafusos até à exaustão, num frenesim e desaire provocados pelo medo e pela irresponsabilidade social, e já ninguém acha graça, muito menos o parafuso.
Torçam-me a porca, que eu deixo, mas há limites. E os limites dos “de baixo” estão a chegar ao fim. Escrevam o que vos digo. Vamos ter uma revolução, e a próxima não será de cravos. Será des cravos. Encravados por terem sido demasiado aparafusados por quem se recusou a acordar por ter demasiado a perder. Isto será a síntese da história da humanidade daqui a cem anos, quando procurarem no Google a história da segunda década de 2000. O meu nome não vai lá estar, mas não precisa. Está na minha consciência e é quanto basta.
Quem não está no poder será apertado – literalmente, “screwed” (para quem aprecie o trocadilho). Também há trocadilhos noutras línguas, e oferecem-se alvíssaras. Enquanto se querem alimentar, isto é, manter-se e manter-nos a nós no sono, comendo-nos as vísceras. E as papas, na cabeça. Venha o Papa e o Eça. Também tenho trocadilhos para vegetarianos, mas o prato do dia hoje é de Marte em Leão e por isso sanguíneo, também adequado a peixes com sangue na guelra.
O que quero dizer é que se uma minoria no mundo está a querer adiar o despertar inevitável, graças a uma imensa maioria adormecida, o facto é que também há cada vez mais de nós a despertar. Pelo menos para o nível colectivo da “coisa”. E a “coisa” é esta:
estamos em pleno voo em direcção a
Estamos em pleno voo e já largámos o trapézio
podemos querer voltar atrás, o que é impossível, ou confiar que do trapézio à nossa frente a Vida nos vai agarrar…
… e assim sempre podemos fazer umas piruetas pelo caminho.
Sabem que tudo o que se esgota, e tudo o que nos chega pelos orgãos dos veículos inferiores (os 5 sentidos) é Maya. Ma-ya= não-isso; ilusão. Engano dos sentidos. Leela = brincadeira dos deuses. Lá andam os deuses (sempre andaram!!) a brincar com os sentidos (não com os sentimentos, nisso o homem é suficientemente bom a fazê-lo sozinho) do homem.
MA-YA: não acreditem nos 5 sentidos. PFFF!… que digo eu… e como libertar-me da ironia paradoxal de que preciso adereçar-vos a partir dos 5 sentidos para vos dizer que neles não acreditem…? Fazemos assim… identifiquem o que acontece DENTRO de vocês ao ler estas linhas… e é quanto basta. Estamos lá quase.
Por isso, por MAYA, por tomarmos os 5 sentidos como a verdade, as agendas das mentes dos homens são ridículas. Não há onde chegar, nada a conquistar, nada a provar, não há prémios no final… apenas as consequências do que escolhermos fazer. Aliás, não há sequer um “eu”. Nem sequer um destino preparado ou embrulhado nem nada pronto-a-levar, como o frango assado com piri-piri pincelado no cú. Apesar das profecias, apesar das cotovias. Só há escolhas que manifestam Energias, e Leis que regem as Energias e por isso as consequências naturais das suas manifestações.
O mundo vai acabar em 2012? Quem sabe? E por não já amanhã? Sempre escusávamos de pagar ainda mais IVA. O mundo vai acabar em 2012? Talvez, por este andar. MAS!!!! O que é que preferem pensar? Sabem que têm liberdade sobre o que pensam? Que “não há machado que corte a raíz ao pensamento?”
Se tivermos 4 biliões de seres humanos assustados, com as despensas cheias de enlatados, farinha, arroz e feijão (apesar do feijão fazer gases e os bunkers familiares poderem ficar a cheirar um bocado mal), provavelmente a forma-pensamento energizada pelo medo de 4 biliões de seres humanos vai precipitar a manifestação de um mundo a acabar. No mínimo, vamos interpretar os crescentes desequilíbrios manifestados pela nossa mal-amada Gaia como prenúncios da desgraça final; uns vão-se aproveitar disso para vender o Apocalipse da Bíblia, outros para venderem prazeres sucedâneos, outros para venderem promessas de iluminação e bem-aventurança, outros convencer-vos a comerem e beberem (e fazerem tudo o resto) porque amanhã não vai haver (e extorquir-vos a energia, ou o dinheiro, em troca), outros vão ficar de rojo, pelo chão, sofrendo e implorando a clemência de Deus quando foi o Homem quem fez a merda, outros vão destruir os seus próprios mundos antes que o mundo os destrua (até na morte temos control-freaks!).
Na melhor das hipóteses, essa humanidade assustada trancada nos bunkers a comer arroz de feijão e ligado ao mundo apenas pelo aparelho de televisão, para melhor acompanhar o que os senhores do mundo permitam ou queiram que eles acompanhem, na versão adequada às necessidades convenientes do momento, na melhor das hipóteses essa humanidade assustada e paralisada pelo medo, trancada no bunker a comer feijão à espera do fim do mundo – essa humanidade vai morrer, nocauteada e gaseada pelo cheiro dos próprios peidos.
E assim as profecias se cumprem.
lol
isso é que é hilariante: percebermos quão ridículo é estar preocupado – fossem mais os instantes desta lucidez e viveríamos todos menos stressados. Talvez até déssemos menos peidos, e seríamos mais amigos do ambiente.
O que interessa é estar consciente – preocupado, não! É completamente inútil e totalmente contra-produtivo. A não ser – a não ser! – que a nossa própria consciência nos sussurre inconfessavelmente: “estás a falhar. Estás aquém. Não estás a fazer o melhor que poderias”. E nesse caso é MESMO BOM ouvi-la… porque essa parte de nós SABE o que nós não sabemos nem admitimos. E essa consciência está aí apenas para nos fazer saber que PODEMOS mas não estamos a querer FAZER MELHOR.
Mas preocupar? Com o futuro? LOL
Qual “futuro”, se somos nós que o construímos com as nossas escolhas? ESSA é que é a razão para nos preocuparmos… Agora, com o exterior? Com o longínquo? Com o distante? Com 2012? Com a próxima encarnação? Com as vidas passadas? Com a infância? LOOOOOL não teremos nada melhor para fazer com a nossa energia, poder e atenção, não????
“why worry now”… Dire Straits, anyone?
Dizia a Liz Greene a propósito do Fogo: a vida é um enorme jogo onde o que importa não é ganhar… é ter estilo :-)
e eu acrescento: e alguma consciência, se possível. Quero dizer, se estivermos dispostos a fazer a nossa parte por isso. Porque alguma consciência objectiva das energias ajuda um bocadinho, para não dizer tremendamente, para não dizer que é quase tudo o que precisamos ;-)
é por isso que o Budda ensinou: tomar refúgio no Dharma.
a mim, a Astrologia ajudou-me a reconhecer “isso” do Dharma, quando comecei a vivê-la em vez de pensá-la, a usá-la como ferramenta de consciência em vez de lhe dar o poder de me condicionar, paralisar ou oferecer falsas seguranças, porque qualquer fonte de segurança no exterior é ilusória…
e a Metafísica, a Psicologia Esotérica, tem-me ajudado a compreender a Astrologia para lá da mente…
mesmo porque conhecimento sagrado (como a Astrologia) nas mãos de um inconsciente é um perigo, e faz pior que bem. Seria preferível que não acontecesse, e muito mais que não acontecesse tanto… mas quem sou eu para julgar, é o karma de cada um e cada um sabe de si porque responderá com a sua própria vida perante a própria da Vida.
então a Astrologia ajudou-me a reconhecer o Dharma, e a Metafísica a usar a Astrologia conscientemente. Mas o que realmente me ajudou, e isso conhecimento nenhum nem evolução nenhuma substituem, dispensam ou equivalem… foram todas as vezes que escolhi oferecer alimento a quem à minha frente tinha fome.
(e sim, porque também sei do Confúcio e porque é a minha natureza também, procurei fazer a minha parte para permitir ou encorajar ou apoiar essas pessoas no processo de se autonomizarem por forma a procurar alimento, mais e melhor, por si próprias… mas foi no acto de oferecer alimento que sinto que me ajudei verdadeiramente a mim próprio – se é que isso existe)
e assim, acredito, se vai construindo a Vida, a Interna, enquanto à volta as modas passam… os escândalos passam… as estrelas passam… os trânsitos passam… e tudo o resto passa… porque daqui a cem anos, nenhum de nós estará importunado com isto. E parece que já se passaram centenas ou milhares de unidades de cem anos desde que isto começou, e não restou nenhum pré-histórico neurótico para demonstrar que vale a pena levar isto demasiado a sério.
aliás, não há registo que nenhuma indignação do passado tenha sido corrigida no presente. Quanto mais não seja, porque o indignado já não está cá para se sentir ressarcido – e, confessem, acreditam mesmo que o indignado alguma vez mudaria de estado interno, mesmo que fosse ressarcido? A indignação alimenta-se é de si mesma, e os seres humanos são viciados nos seus próprios sentimentozinhos de estimação. Tirem a um ser humano o conforto, a familiaridade e a ruminação inconfessável dos seus sentimentos de sempre e vejam uma barata tonta a estrebuchar em luta agonizante com a morte. Tentem libertar um ser inconsciente do domínio do seu próprio astral e vejam um demónio a destruir tudo, a resistir a tudo, a disfarçar-se de tudo para sobreviver, a fazer de conta que já não está para poder continuar, a usar de mil artimanhas, quando não da intimidação e da sedução, apenas para permanecer na mesma.
Por que é que acham que a psicoterapia, nas suas múltiplas escolas e abordagens, tem tanta profundidade, insight, brilho, capacidade, ferramentas, potencial – e tão pouco sucesso? NINGUÉM ABDICA DOS SEUS SENTIMENTOZINHOS porque na maior parte das pessoas é a única coisa que os faz sentir vivos. E, na ausência de uma ligação com a Alma, é apenas natural que assim seja. Um ser inconsciente não tem outra fonte de vitalidade dentro de si. E preservar a fonte da vitalidade é garantia da sobrevivência, e a sobrevivência é a mais forte VONTADE DA VIDA.
(compreendam, apenas, que há tantos e tantos planos e níveis nessa, e dessa, “Vida” que cada um deles parece ser em si mesmo uma qualidade diferente de “Vida” – isto fica para outra altura)
até lá,
e no processo,
fica um recado para quem me queira ouvir antes de eu morrer.
vivam com consciência, se puderem, amem-se e assim amem o próprio, não confundam amar com satisfazer os caprichos do ego… amar é fornecer a energia e o motivo para a evolução continuar. Às vezes amar é frustrar, sacrificar o desejo, ser agressivo, ficar em siêncio,… e não há uma fórmula. É por isso que cada um de nós deve – precisa – desenvolver a sua própria consciência. É a única maneira de lidarmos eficientemente com os desafios da nossa própria vida.
E disto a que chamamos vida o que fica… é o que fazemos “cá” dentro apesar dos jornais e das novelas e dos planetas e dos livros e das manipulações alheias (incluindo de textos como este), dos encantamentos ou dos apertos momentâneos e passageiros, porque todo o glamour e todo o fascínio ( o do desejo ou do medo) é passageiro, vibra baixinho, está condenado a dar o peido mestre rapidamente… o que não Amor não é Alma, o que não é Alma não tem magnetismo nem qualidade suficiente para durar… é tão eterno quanto a chama de um fósforo.
… e disto a que chamamos vida afinal o que fica, além do que fazemos “cá” dentro… é o que deixamos no mundo “lá” fora…
dir-se-ia: o que fazemos DE nós, o que fazemos POR outros…
o drama – e a chave – é pensarmos, e somos quase todos reféns e quase sempre cúmplices dessa mentira, que se faz POR nós ou AOS outros…
mas não. Trata-se de fazer DE nós, e POR outros…
mudem de preposições, agora com o Sol em Gémeos, e vejam o que acontece à vossa vida
© Nuno Michaels, aos 22 de maio de 2010. Todos os direitos reservados. Divulgação permitida e encorajada sem permissão do autor, desde que não se façam passar por ele.


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