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Ano Novo, Vida Nova!


Somos chegados ao final de mais um ano. Queiramos ou não, aceitemo-lo ou não, muito do que tivemos foi resultado do que pensámos, das coisas em que pusemos energia, das escolhas que fizemos (e das escolhas que escolhemos não fazer), das reacções que tivemos perante os desígnios da nossa própria existência.

Nem tudo depende de nós, e existem mais factores do que aqueles que possamos elencar de improviso que condicionam as circunstancias da nossa própria vida, muitos deles demasiado colectivos e abstractos para termos sequer deles noção; neste sentido, a Liberdade absoluta é largamente uma fantasia de omnipotência – não controlamos nada do que esteja fora de nós. Existem muitos karmas enredados nos nossos próprios, várias Leis Cósmicas, e muitas coisas que desconhecemos, sobre as quais podemos não mais que especular, que transformam a ideia de controlo sobre a vida ou as circunstâncias num ideal impossível e sem lugar: uma utopia.

Nem quem estuda os ciclos astrológicos e os observa a cumprirem-se com um rigor que causa espanto, no tempo exacto e com as qualidades que lhes são divisáveis, tem como saber antecipadamente qual será a forma concreta de manifestação de um dado ciclo, ou de uma dada interacção planetária/energética. Há uma margem demasiado grande de mistério nos Céus, e de ignorância no Homem, para termos a pretensão de que algo controlamos, sabemos ou antecipamos com certeza. 

Mas isto não significa que não tenhamos nenhum tipo de controlo sobre a Vida. De facto, e essa é uma das maiores aprendizagens propostas por Saturno, a de que existe um tipo específico de controlo possível que raramente exercemos ou reclamamos: o auto-controlo, ou seja, o exercício da Vontade sobre aquilo que depende de nós. Uma boa imagem a reter, a este propósito, é esta: não controlamos nada que se passe para lá da nossa epiderme (o que podemos, quando muito, é influenciar o que se passa para lá da nossa epiderme) – mas podemos controlar o que se passa dentro.

Nas palavras exactas de Wayne Dyer, “nem sempre posso controlar o que se passa fora. Mas posso sempre controlar o que se passa dentro”.

Ou como diz o provérbio, “confia em Alá, mas amarra o camelo”. Que é como quem diz, faz o que está ao teu alcance, o que depende de ti, faz a tua parte. Não há garantias, nem tudo depende de ti - mas naquilo que depende de ti, sê impecável. Sê responsável. Sê responsa-hábil.

Não tens a certeza de encontrar emprego? Não quer dizer que não procures. Não tens a certeza se essa matéria sai no exame? Não quer dizer que não a estudes. Não tens a certeza de ter público na tua apresentação? Não quer dizer que não ensaies o espectáculo. Não tens a certeza de que vão gostar? Não quer dizer que não dês o teu melhor. Trataram-te mal? Nada te obriga a responder da mesma maneira. Não esperas ganhar o Nobel da Paz? Não significa que não trates a todos com candura, gentileza e boa-fé. Mesmo que não façam o mesmo contigo; trata de fazer  a tua parte.

Da mesma maneira, ninguém sabe o que trará 2010 a todos nós, a cada um de nós. Cada um, indivíduo nação ou planeta, tem o seu próprio karma, e este entretecido com tantos outros karmas que não podemos conhecer ou mudar; apenas aceitar e amar e honrar o melhor possível.

Mas isso não significa que não exista tremendo poder a ser reclamado na co-criação da própria existência, e larga parte do que podemos co-criar para nós mesmos reside na força criativa do pensamento e no seu direccionamento deliberado.

Recorde, aquilo onde pomos atenção cresce. Há muitos séculos, já Aristóteles dizia “somos aquilo que fazemos consistentemente. Assim, a excelência não é um acto, mas um hábito”.

Habitue-se, por isso, a dirigir conscientemente os seus pensamentos. Por exemplo, foque o pensamento no que quer ter e não no que quer evitar. Foque o pensamento nas oportunidades e não nas limitações (a não ser, claro, para as poder reconhecer e respeitar). Foque o seu pensamento nos seus objectivos, e não numa espécie de fé bacoca, irresponsável e vã de que tudo irá, eventualmente, acontecer sem que nada precise ser feito por isso.

Observe os seus discursos e afirmações. O treino de auto-observação é parte fundamental do Caminho Espiritual, ou de Desenvolvimento Pessoal. Dê-se conta da quantidade de vezes que se limita e limita o mundo de possibilidades ao seu redor.

Anote mentalmente quantas vezes diz “não posso” (fazer o que quero), “tenho que” (cumprir qualquer regra estúpida que já ninguém se lembra de  onde vem), “isso não é para mim” (que sou demasiado bom ou demasiado mau), ”é demasiado tarde”, “isso nunca vai mudar”, “é sempre assim”, “a vida está má”, “não tenho dinheiro”, “preciso de aprovação”, “isto não devia acontecer”, “isto e aquilo são incompatíveis”, e tantas tantas outras limitações que não existem em nenhum lugar senão nas suas próprias crenças.

Quero dizer, se as suas crenças dão origem a pensamentos “verdes”, isto é, pensamentos que o fazem sentir bem, nutrido pela Vida, em crescimento e expansão, em amadurecimento e consciencialização, feliz, confiante, com oportunidades de explorar, experimentar, viver, crescer, e USAR o dom da Vida que lhe foi oferecido, então são “boas” crença. As raízes de uma árvore só podem ser conhecidas pelos seus frutos, e a nossa vida prática é o fruto das crenças que estão enraizadas no nosso psiquismo, consciente e inconsciente.

Mas às vezes (para não dizer, na maior parte das vezes) as nossas crenças dão origem é a pensamentos “vermelhos” que nos fazem sentir deprimidos, impotentes, desanimados, com falta de alegria, coragem ou auto-confiança, pecadores, insuficientes, e nos mantêm muito aquém do nosso potencial e evolutivo e daquilo em que podemos, ou nascemos para, nos tornarmos.

O que acreditamos sobre nós próprios, os outros e a Vida condiciona o que pensamos. O que pensamos (condiciona) o que sentimos, e o que sentimos (condiciona) o que, e como, fazemos, e isso por sua vez (condiciona) os resultados que obtemos como ressonância ao que nós próprios , e a que chamamos “realidade”.

E aqui está a chave. É que muitas vezes, a nossa realidade não serve outro propósito que o de nos provar, com os resultados obtidos, que as nossas crenças estavam certas desde o início - mesmo que nos façam sofrer, mesmo que sejam daquelas crenças que dão origem a pensamentos “vermelhos” – nós, humanos, somos geralmente tão previsíveis e complicados que preferimos ter razão (nas nossas crenças miseráveis) do que sermos felizes.

De certa maneira, a nossa vida confirma as nossas crenças. Exagerando um pouco, ao ponto da caricatura, dir-se-ia até que a nossa vida é expressão das nossas crenças (e se não existissem os tais “factores misteriosos incognoscíveis”, provavelmente seria literalmente). Só que ao contrário do que acreditamos (ehehe), não acreditamos no que acreditamos por causa da experiência que temos; é rigorosamente ao contrário: temos a experiência que temos por acreditar no que acreditamos.

Em 2010, faço votos, encorajo - e desafio cada um de nós – a romper as limitações das suas próprias crenças limitadas, limitadoras e exclusivistas; a reclamar a sua quota-parte de poder na co-criação da sua própria vida; e a dirigir consciente e objectivamente a sua energia mental. Se estas são, sempre foram, vias de emancipação da Humanidade, parecem ser especialmente oportunas nos tempos que correm e se avizinham.

Votos de um Excelente 2010, e espero que tire partido de todos os conhecimentos e ferramentas que coloco à sua disposição neste site.

 Nuno Michaels