Perguntas Frequentes
… por que é que existe um tempo-limite estabelecido para a consulta
Não é só porque os limites estarem claros e serem conhecidos por ambos só enriquece a nossa relação profissional. Eu posso gerir a minha agenda e você pode gerir a sua vida, e ambosa sabemos exactamente em que horário estaremos disponíveis um para o outro.
É também porque está sugerido e documentado pela teoria – e sustentado pela prática – que depois de 20 minutos de atenção focada, durante uma consulta, os indivíduos começam a perder gradualmente a capacidade de concentração; que ao fim de 50 minutos se atingiu o tempo óptimo de consulta; e que ao fim de 90 minutos a energia psíquica de ambos se esgotou. Não é por acaso que em psicoterapia as sessões têm geralmente a duração de 50 minutos, e que os últimos minutos de cada sessão se destinam normalmente a rever e sintetizar o que foi feito, nunca para se introduzir num novo tema.
Além disso, e também à semelhança das outras profissões que envolvem qualquer tipo de transacção psíquica, terapêutica ou espiritual, o tempo terapêutico (o tempo do encontro entre duas almas) não é cronos (o tempo linear dos relógios e dos calendários), é kairos (a eternidade do momento presente vertical, a intemporalidade de um encontro significativo ou de uma coincidência extraordinária, o tempo “interno” da Alma).
Kairos é um tempo que está em simultâneo, mas para além do tempo que se mede no relógio. A experiência interna do tempo é puramente subjectiva; às vezes temos a sensação de termos estado ausentes muito tempo, e foram apenas uns segundos; outras vezes, passam-se as horas em instantes e a eternidade arde num fósforo. O tempo dos cronómetros patrocina as olimpíadas, mas não permite dar conta do tempo interno, que é o tempo da consciência.
Numa sessão de aconselhamento astrológico não se trata tanto de ter a sessão contada ao minuto, porque não é – ou não é principalmente – o tempo cronológico da duração da consulta, ou o tempo de preparação prévia, o essencial a retirar de uma leitura astrológica.
São muito mais valiosos, e impossíveis de cronometrar também, o que acontece em kairos: a qualidade de insight, a frescura de uma nova visão, a objectividade de um espelho macrocósmico, a transformação energética que ocorre no encontro, a reorientação no tempo e no processo.
Não é, por isso, que MAIS 15 minutos de consulta são uma CONSULTA MELHOR. Qualidade não é quantidade; é eternidade, presença, atenção e entrega.
Astrólogo e cliente devem ambos estar cientes da duração da consulta e respeitá-la, mas caberá antes de mais ao prestador do serviço controlar adequadamente o tempo e avisar o seu cliente a dez ou quinze minutos do final, para que possam ser respondidas as últimas questões e preparado o fecho da sessão.
… por que é importante referir, aquando da marcação, as expectativas e os objectivos da consulta
Para me ajudar a direccionar a preparação prévia e a nossa sessão. Isto poupa o seu tempo de consulta e a nossa energia.
Um tema astrológico é virtualmente inesgotável, e podemos ficar várias semanas a explorar novas interpretações e possibilidades de viver as energias aí representadas. É por isso, geralmente, que em diferentes momentos de vida procuramos, e retiramos, diferentes coisas de uma sessão de Aconselhamento astrológico. É por isso, também, que é extremamente enriquecedor ter mais do que uma sessão isolada de Astrologia, de modo a que não permaneça a ideia, errónea, de que “já me leram o Mapa Astrológico uma vez” e está “lido” para todo o sempre.
Além disso, dar a conhecer de antemão ao seu conselheiro os seus objectivos e expectativas garante que a atenção é dada àquilo que é importante para si no momento em que vem à consulta.
Ao dizer-me o que pretende, não só clarifica as suas próprias ideias, como me dá oportunidade de direccionar e aprofundar a leitura, tornando-a ainda mais útil para si.
… por que é que podem ser sugeridas consultas posteriores
o trabalho de um astrólogo profissional não é vender consultas em barda, é prestar o melhor serviço de aconselhamento astrológico a quem o procura dentro do tempo estipulado para a sessão.
O aconselhamento astrológico, à imagem e semelhança de qualquer outra profissão (médicos, advogados, contabilistas, psicólogos, enfermeiros, terapeutas, gestores, jornalistas, etc.), está enformado por princípios, regras, limites, direitos e deveres, princípios éticos e deontológicos.
Entre esses, o sigilo e a confidencialidade, a explicitação das condições da prestação dos serviços, a natureza e a duração das sessões, os honorários, os procedimentos em caso de não-comparência à consulta, são específicos do trabalho de psicólogos e psicoterapeutas e constam invariavelmente do “contrato terapêutico” firmado entre terapeuta e paciente.
Mas o contrato terapêutico das psicoterapias prevê, e supõe, uma relação terapêutica que se prolonga e aprofunda ao longo do tempo, até durante anos por vezes, e nada disso existe numa consulta de Astrologia. Existe um único encontro, com limites bem definidos, onde é suposto tudo acontecer em muito pouco tempo – e muitas vezes não é possível abordar todos os aspectos importantes numa única sessão, em nome de se abordarem outros mais profundamente ou adereçar questões específicas.
Por esse motivo, e sempre que seja no interesse e no benefício do consulente, uma vez atingido o limite da sessão sou o primeiro a sugerir uma nova marcação para trabalharmos novas questões ou aprofundar o trabalho desenvolvido. Mas fica sempre a cargo, à responsabilidade e à deliberação do cliente marcar ou não nova consulta.
… uma consulta de Astrologia é um embuste?
É claro que não. Mas isso não se “prova”, não se demonstra fora de um contexto de aconselhamento ou de ensino astrológico, e muito menos servem as palavras para o comprovar – senão, não se teriam já escrito tantos milhões de linhas sobre o assunto. Os que “acreditam” de um lado, os que não “acreditam” do outro, são apenas mais uma forma de polarização desnecessária.
A Astrologia não trata de tomar partido ou incentivar polaridades. A Astrologia é uma linguagem para a alquimia da consciência, para a integração e o manejo consciente das polaridades. Não se “acredita” ou deixa de “acreditar”. Ou conhecemos, ou não conhecemos. Para quem conhece faz sentido, para quem não conhece é objecto de “opinião”. Mas nós não temos que “achar”; temos que “saber” com os órgãos internos, os da intuição, do coração e todo o Ser.
Além disso, apenas a experiência pessoal de quem estuda astrologia, ou “experimenta” uma consulta, é que permite avaliar se uma leitura astrológica, uma sessão de aconselhamento ou o simbolismo dos diferentes planetas, signos e ângulos são um embuste ou – quando traduzidos correctamente – uma revelação valiosa para o próprio auto-conhecimento. Excluir à partida o que não se conhece, é excluirmo-nos, antes de mais, da possibilidade de vir a conhecer e nunca foi a base para se fazer ciência.
… uma consulta de Astrologia é uma extravagância?
Uma consulta de Astrologia é, antes de mais, um investimento em nós próprios. Quando reservamos algum tempo e tiramos de parte algum dinheiro, e encontramos em nós a disponibilidade para procurar um profissional com quem podemos falar sobre nós mesmos, já estamos a ganhar com a escolha – e ainda a consulta não começou!
Só por nos propormos fazê-lo – só por nos fazermos uma opção nova -, já estamos a criar um destino diferente, uma outra imagem de nós próprios. Pessoas comprometidas com o seu próprio crescimento, oferecendo-se as ferramentas da sua própria consciência, para quem o dinheiro é um aliado do seu crescimento e não um impedimento fácil, uma desculpa perfeita para continuarmos aquém de nós próprios. O dinheiro é uma energia que serve para fluir e trocar – para investirmos em nós próprios e nos desenvolvermos -, e não apenas para pagar as contas da nossa passagem pelo Planeta.
… a Astrologia permite resolver problemas?
Sim e não.
Não, porque não permite fazer “desaparecer” os problemas, e quem se intitula de astrólogo divulgando este tipo de promessas ou garantias não é certamente astrólogo, embora possa ser outras coisas (consigo pensar numa ou duas, assim de repente).
Mas quando a Astrologia nos permite ganhar consciência objectiva do problema (qual é a verdadeira questão por detrás da situação problemática – e é sempre uma questão ética, axiológica, existencial, do crescimento psicológico e espiritual), e não apenas uma emoção subjectiva (de que maneira nos sentimos prejudicados, ameaçados ou ansiosos) que surge como uma reacção ao “problema” como se o problema fosse a causa do mal-estar e não apenas o seu espelho ou o seu correlato materializado na experiência concreta de vida, a Astrologia abre-nos as portas da percepção para as razões mais profundas da existência do “problema”, as causas intangíveis da sua criação e manutenção, as oportunidades aí contidas e os diferentes tipos de resposta que podemos dar a cada situação de crise.
Neste sentido, a Astrologia não permite resolver problemas mas sim permite que os problemas sejam compreendidos e vividos como oportunidades de o Homem se resolver e cumprir. E quando um “problema” passa a “oportunidade”, será legítimo continuar a chamá-lo de “problema”?
… a Astrologia permite prever o futuro?
Sim e não. Leia o meu artigo sobre o tema, aqui, onde ensaio uma resposta puramente pessoal a uma das mais antigas – e actuais - questões relativamente à Astrologia, e uma das que mais confusão faz, naturalmente, a quem não a estude ou pratique.
… posso levar um acompanhante para assistir à consulta?
Não, a não ser que a consulta se destine (também) a essa pessoa, como no caso de uma sessão de casal ou nos estudos de sinastria (i.e., comparação de temas astrológicos). Mas como essa não é a minha especialidade e recomendo habitualmente outros astrólogos melhores do que eu em técnicas de sinastria, limito-me a escrever sobre as sessões de aconselhamento individual em que me concentro.
Na generalidade, a presença de um terceiro elemento, não visado, numa sessão de aconselhamento desvirtua o setting terapêutico e prejudica o funcionamento desejável da sessão (explicar por que vias exigiria, já se si, um livro inteiro sobre o assunto – e já há existem alguns), além de que toda a informação trocada e partilhada numa consulta de Astrologia é estritamente pessoal, confidencial e intransmissível. Além disso, é um tempo – um hiato no dia-a-dia – que deverá ser consagrado e oferecido a nós próprios sem a presença de outros, característica e inevitável das restantes actividades do dia-a-dia.
É compreensível que algumas pessoas sintam necessidade de irem acompanhadas, por um ou por outro motivo, aquando duma incursão no gabinete de um astrólogo – porque não querem adentrar sozinhas uma experiência nova, para se sentirem mais protegidas ou amparadas, para partilharem a experiência, para terem na sessão uma espécie de ‘aliado’, por razões logísticas ou outras – não encontrar com quem deixar uma criança ou não terem transporte próprio, por exemplo.
Mas como sublinhei atrás, a presença de um elemento estranho à relação entre astrólogo e consulente prejudica o trabalho proposto e é desencorajado. Outros astrólogos poderão ter visões em que isso não constitui nenhum tipo de problema. Assinalo que esta questão é uma escolha de consciência individual e reflecte a atitude profissional e pessoal, os preconceitos, os limites e a ética de cada profissional.
Esta resposta reflecte, por isso, uma opção puramente pessoal.
… é suposto acreditar em tudo quanto o astrólogo me diz?
Não, e diria mesmo mais: não é suposto acreditar em nada do que o astrólogo diz.
O que o astrólogo faz é “traduzir” o simbolismo contido no tema astrológico de cada um, tentando levar o cliente a relacionar a sua experiência concreta de vida com o que é interpretado, de modo a que ambos, num processo de descoberta partilhada, possam ir “adentrando” as questões simbolizadas pelo mapa e identificar em conjunto determinados “temas de vida” que o cliente possa identificar e reconhecer, por forma a responder de maneira cada vez mais consciente aos seus próprios desafios de vida.
Por isso, quando traduzidos em linguagem compreensível e adequada ao cliente, quaisquer padrões de um tema astrológico podem ser reconhecidos e compreendidos pelo próprio mesmo que isso implique explorar outras possibilidades interpretativas. O cliente não precisa “acreditar” em nada do que lhe é dito: ou as coisas fazem sentido, é necessária a nossa abertura e cooperação para ajudar a “afinar” a leitura – afinal, estamos a interpretar símbolos, e os símbolos podem ser recriados de maneiras virtualmente infinitas. De uma forma ou de outra, as energias do nosso mapa estão presentes na nossa vida – nem sempre, embora, de uma maneira auto-evidente ou admissível pela nossa própria consciência. E muito menos o astrólogo tem como saber de que forma concreta essas energias se manifestam, apenas a sua natureza e os padrões da sua interacção. Ajudar a interpretar o nosso próprio tema, com o nosso próprio insight e acrescentando a nossa experiência pessoal de vida, é a nossa melhor contribuição para uma leitura de astrologia psicológica.
Desta forma, é muito mais interessante perguntarmo-nos se o que o astrólogo diz ecoa dentro de nós, se faz sentido, ou se pode vir a fazê-lo num futuro próximo, quando já tenhamos reflectido, quando já tenhamos tido mais experiência, quando já nos tenhamos começado a observar à luz de uma nova hipótese, quando voltemos a recordar a sessão (daí ser interessante e por vezes terapêutico manter uma gravação da sessão).
Uma leitura astrológica não é do domínio da “fé”, da “crença” ou do deslumbre. É mais do domínio do Auto-Reconhecimento. Assim, fica evidente que importa muito mais retirar significado e valor da leitura do que “acreditar” no que for que o astrólogo diz.
… o astrólogo pode fazer-me algum tipo de terapia?
Suponho que sim; mas apenas se estiver devidamente habilitado para o fazer; nesse caso é natural que integre com o seu trabalho quaisquer ferramentas terapêuticas em que seja formado, conheça bem ou domine.
O ponto fundamental a compreender é que um astrólogo, só por si, não é propriamente um terapeuta – é mais propriamente um intérprete de símbolos. Nesse sentido, na medida em que compreensão e insight forem terapêuticos, o astrólogo é terapeuta porque ajuda a criar compreensão e insight – sobre nós próprios e sobre a Vida -, apontando maneiras novas de vivermos as energias que são as nossas.
Mas se por terapia entendermos um conjunto de tratamentos, procedimentos, ferramentas e técnicas reunidos e justificados por uma determinada orientação teórica, então a Astrologia, só por si, não oferece outras ferramentas e técnicas além da interpretação que possam ser qualificadas, neste sentido, de terapêuticas. E neste sentido o astrólogo é apenas um intérprete, não um terapeuta. Mas pode sempre encaminhar ou referenciar outros terapeutas devidamente qualificados, consoante o caso, a necessidade e o interesse dos seus clientes.
… com que regularidade é conveniente ir a uma consulta de Astrologia?
Suponho que a resposta varie enormemente de astrólogo para astrólogo. A minha é esta: sempre. Que se justifique.
no momento em que surge o apelo interior,
uma vez por ano para ter um panorama geral dos próximos desafios e oportunidades, perante uma decisão importante,
perante uma crise específica,
em fases em que parecemos ter esgotado o entendimento das alternativas ao nosso dispor,
quando queremos uma visão nova sobre velhos assuntos (e os assuntos presentes),
quando procuramos uma outra pista sobre o significado, o potencial e o propósito da existência,
quando precisamos de nos recordar de nós próprios,
quando nos resolvermos explorar a Astrologia,
quando queremos aprofundar a compreensão astrológica em brainstorming
quando precisarmos
ou quando quisermos.
Tem outras perguntas que não viu aqui respondidas? É natural. Esta secção é sobre Perguntas Frequentes e a sua pode ser rara :-)
Nesse caso, tem duas possibilidades – ou me escreve e coloca a sua questão ou, como o encorajo a fazer na sequência da célebre locução do Prof. João dos Santos*, comece a estudar Astrologia e descubra por si mesmo as respostas que procura. Isso é, afinal de contas, o que de melhor pode fazer por si mesmo; mesmo que implique consultar outros, o ideal ainda é reflectir profunda e longamente sobre a frase a que acabo de me referir:
* “Se não sabe, por que é que pergunta?”

